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--------------------------------------------------------------- Where is Tattoo ? (24/03/09) - Rodrigo
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Morreu em 14 de janeiro, aos 88 anos, em Los Angeles, de complicações cardíacas, o ator Ricardo Montalbán. Nascido no México, ele fez carreira de sucesso em Hollywood com dezenas de filmes. Mas ficou marcado mesmo no Brasil pelo papel de Mr. Roarke, anfitrião da Ilha da Fantasia, série meio lisérgica exibida na televisão por aqui no começo dos anos 80. |
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O mote do programa era uma ilha onde todos os sonhos podiam ser realizados. Cada episódio, começava sempre com Mr. Roarke, acompanhado do seu braço direito, o anão Tattoo, recebendo na Ilha os convidados, que chegavam de barco. Mr. Roarke ia explicando para o Tattoo, interpretado pelo francês Hervé Villachaize, o sonho de cada personagem, à medida que estes iam desembarcando. E, cada um, ao chegar, recebia um colar havaiano. Dizem que os colares havaianos eram para garantir que ninguém associasse a Ilha da Fantasia a Cuba e sim ao Hawai! No final, Montalbán no papel de Mr. Roarke, invariavelmente erguia um drink e dizia alto: “Bem-vindos a Ilha da Fantasia”! E isso marcou muitas pessoas da minha geração. Mas o que quero contar é que em 1999, eu estava em Los Angeles, como produtor do documentário “Laurindo de Almeida – Muito Prazer”, direção de Leonardo Dourado. O filme versava sobre o virtuose instrumentista brasileiro, falecido anos antes e radicado a vida toda em L.A. Pois então, grande amigo de Laurindo de Almeida, Montalbán ia ser entrevistado para o documentário. A negociação para agendar foi longa. Ele estava preocupado de aparecer com um problema na perna e discutia até o enquadramento que devíamos fazer. Finalmente, chegou em uma limousine caprichada, exigência dele e paga pela produção. E já saiu do carro com um sorriso pronto. Estava impecável! Cabelo, roupas (terno chique) e simpatia total. Mas ele tinha dificuldade de andar, usava uma bengala e no fundo aparentava um ostracismo disfarçado. Já estávamos com a luz pronta aguardando, pois o tempo de permanência dele seria pequeno. No lugar indicado, sentou-se com muita dificuldade, mas mantendo a pinta de estrela, sempre. Eu guardei a bengala, que evidentemente não podia aparecer diante da câmera. E o Leonardo começou a entrevista. Montalbán falava do Laurindo com profundo carinho. E repetia o tempo todo a expressão: “such a joy”, que virou depois um mote de piadas da equipe... Terminada a gravação, ele conversou com todos por 5 minutos e disse que ia embora. Eu queria muito perguntar do anão Tattoo, que o acompanhava na Ilha da Fantasia. Após alguma hesitação, não resisti: Where is Tattoo? Ele olhou para mim com profundo pesar e disse: “Unfortunately, he has died”. Depois, toda a equipe riu desse diálogo insólito. Mas o fato é que Tattoo, interpretado por Hervé Villachaize, morreu em 93. Ele teve problemas com seus órgãos internos, que apesar do corpo pequeno (ele tinha 1,19cm), tinham o tamanho dos órgãos de um ser humano de altura normal. Com o tempo, os órgãos foram se comprimindo no pequeno tórax, o que lhe provocava dores insuportáveis. Aos 50 anos, deprimido e bebendo mais do que muito, ele escreveu um bilhete, gravou uma fita de despedida e se matou. Agora que Montalbán também “unfortunately has died”, ficou a graça da entrevista, a sensação de que aquele passeio de limousine parecia, vendo o sorriso dele, recolocar as coisas nos seus devidos lugares. E uma homenagem para o Hervé Villachaize, o eterno Tattoo. |
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--------------------------------------------------------------- Cartas para Aldebarã (12/03/09) - Bertrand
Caro Primo Tau,
prosseguindo a minha crônica de viagens pelos exoplanetas exóticos, procurarei achar as palavras mais ponderadas para transmitir os sentimentos e sensações perfeitamente contraditórios que me inspira a minha estadia num curioso planeta chamado por alguns de Terra, que na verdade deveria ser chamado de Faz-de-Conta por causa da curiosa tendência local a misturar os mundos reais e imaginários.
Um exemplo recente: o filme (depois explico a importância do cinema para tentar entender os Terrícolas) "Entre os Muros da Escola", que acontece num colégio, supostamente a instituição dedicada à passagem de conhecimento de uma geração para a outra, dentro de um contrato social determinado. Essa é a leitura Faz-de-Conta. A real: num aquário, as gerações se observam e não se entendem, esbarrando numa parede de vidro que nem percebem, e em cada seção, professores e adolescentes, cada qual do seu lado, reproduzem discursos pré-formatados auto-referenciais.
Em qualquer outro planeta isso seria causa de conflagração social imediata. Tem que ter outros mecanismos atrás. Prometo seguir pesquisando!
Até a minha próxima carta,
Afetuosamente, Primo Bertrand
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--------------------------------------------------------------- dica para ver, ouvir e ler! (18/02/09) - Nico
Pra quem gosta de livro, foto, música, cinema, ou seja, quase todos nós que trabalhamos com a sétima arte, seguem uns links úteis e interessantes.
Livros: www.gutenberg.net (Projeto Gutenberg) www.bibvirt.futuro.usp.br (Biblioteca Virtual Futuro USP)
Fotos:
Cinema: |
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